sábado, 16 de agosto de 2008

Ser humano com animais e meio ambiente

Fico muito intrigado quando se relaciona o humanismo ou a valorização do ser humano com o descaso para com os animais e / ou a Natureza, ou mesmo com o mau-trato aos animais. Tenho visto esta associação com uma certa freqüência. No mesmo contexto, tenho visto a radicalização disto: Tenho visto muitos ecologistas gritando palavras cheias de ódio e rancor a favor da extinção do ser humano – o que traria como resultado... A preservação da Natureza!!

O mau-trato aos animais e à Natureza se origina do anti-humanismo, não do humanismo. O humanismo não é egoísta. O humanismo é solidário e compassivo. Um ser humano consciente das suas obrigações éticas com respeito aos outros seres humanos (não-violência, compaixão, solidariedade, inclusão...) é infinitamente mais propenso a respeitar qualquer outra forma de vida (animal ou vegetal) do que uma pessoa que não tem consciência das suas obrigações éticas ou não cumpre com elas, mesmo sabendo que são 'obrigações'. Vou provar que são obrigações: Qualquer um (99,9%) esconde ou omite que 'ignorou', 'explorou', 'abusou de', 'roubou de, 'mutilou', 'matou', etc. outro ser. Já qualquer um (a imensa maioria) diz: "Não foi nada" (= "Eu só fiz a minha obrigação") quando faz algum bem ou mesmo um favor a alguém; e fica reconfortado porque deu um pouco de comida a um animal faminto – ou evitou que ele fosse maltratado.Não há como fugir destas obrigações universais, porque elas estão impressas no nosso ser como as páginas de um livro.

O próprio Confúcio (1) já dizia isto. Dizia que vivemos de acordo com uma ordem universal que se baseia no Bem, no correto (" Yi " – 2). E que quando violamos esta ordem universal, somos os primeiros a saber que fizemos algo errado. Por isto eventualmente escondemos o que fizemos de 'errado': Porque queremos parecer 'bons', já que 'ser bom é bom' e 'ser mau é ruim'. A ordem universal descrita por Confúcio é o Bem. Platão também chegou a esta conclusão. Uma vez, alguém lhe perguntou o que era o Bem. Ele meditou por alguns momentos e respondeu: "Não posso te mostrar o Bem. Mas posso te mostrar o filho do Bem. Olhe para o Sol e você estará olhando para o filho do Bem".

Não existe dicotomia entre ser humanista e amar e demonstrar compaixão por toda e qualquer outra forma de vida; muito pelo contrário: É infinitamente mais provável que a solidariedade e a compaixão para com os animais e a preservação da Natureza seja uma conseqüência da auto-humanização. Nós não nascemos (culturalmente) humanos: Nós nos tornamos humanos durante a nossa vida, aperfeiçoando as nossas potencialidades. Quando o ser humano desdobra todas as suas possibilidades, ele respeita – e humaniza – tudo e todos os que estão à sua volta, inclusive os animais e a Natureza. Por isto é necessário Humanizar o Ser Humano, e tudo o demais acompanhará esta mudança.

Lincoln Sobral

Imagem: Garça Branca na Praia do Flamengo (Rio), L. S., 2007

1 - Golovacheva, Ludmila. Idéias Humanistas nos Ensinamentos de Confúcio. In O Humanismo nas Diferentes Culturas. Centro Mundial de Estudos Humanistas. Virtual Ediciones. Santiago, 1994

2 - Yi: Conceito correlato ao da moral (mores) latina. Vide http://justa-medida.blogspot.com/2007/07/glossrio-conceitos.html


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