quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sobre a questão da igualdade de gênero


Jamais foi simples a análise da questão da igualdade (ou desigualdade) social entre os sexos, muito menos a transformação da perene situação social de desigualdade entre os gêneros.


Notável ainda é a inferioridade social a que é relegado o gênero feminino, apesar dos avanços atingidos durante o século XX, principalmente a partir dos anos 1950. No entanto, a igualdade entre mulheres e homens segue sendo questão crucial para transformar positivamente a sociedade global.

Alguns dos pontos que necessariamente devem ser abordados na análise de tal questão — sem prejuízo de outros — são:

· uma profunda reflexão histórico-social

· a revisão do impacto causado na distribuição do poder entre os gêneros decorrente de sua constituição física e do papel reprodutivo de cada qual

· o reconhecimento do papel da mulher no estabelecimento e manutenção de uma cultura coletivista, na inovação em técnicas de produção de utensílios (moldagem e queima do barro, produção de vestimentas e calçados…) e na transição da cultura coletivista para uma cultura agrícola (seleção e coleta de espécimes e de sementes e seu plantio) e agropastoril (plantio e guarda compartilhada de rebanhos)

· o reconhecimento da importância da força de trabalho feminina na decolagem da revolução industrial
· o reconhecimento da importância histórica do gênero feminino na educação das novas gerações

· a revisão do impacto causado pelo gênero feminino na universalização de direitos humanos (quando da implantação do sufrágio universal e dos direitos trabalhistas, por exemplo)…

· … dentre outros.

A sociedade ainda está longe, portanto, de ter uma visão justa e igualitária sobre a importância do papel desempanhado pelas mulheres na construção da civilização.

Continua franqueada a palavra, portanto, a antropólogas(os), sociólogas(os) e estudiosas(os) em geral.

questão gênero feminino_ABAFO_txt
Arte: ABAFO


Mística Feminina

por Centro de Mídia Independente (CMI)

Um dos livros mais importantes do século XX não é mais editado em português, dificultando pesquisas e estudos sobre ele. Para corrigir essa situação, agora está disponível a cópia digital do livro.

Betty Friedan lançou Mística Feminina em 1963, como resultado de suas pesquisas sobre o estilo de vida estadunidense, que incentivava a mulher a ser apenas dona-de-casa e viver em função do marido e filhos.
Betty-Friedan
Ao expor o incentivo ao consumismo desse sistema e mostrar que a vida dessas mulheres era fonte de inúmeros problemas sociais e psicológicos, devido à anulação da personalidade feminina e descarga de frustrações em outras pessoas, o livro ajudou a impulsionar a segunda onda do feminismo.

Infelizmente, Mística Feminina não teve muitas edições em português, e é difícil de ser encontrado em sebos e bibliotecas públicas.

Para corrigir essa situação, agora está mística feminina_betty friedandisponível a cópia digital do livro. O escaneamento foi realizado de forma a preservar a formatação original, permitindo citações em trabalhos acadêmicos.

Este arquivo corrige falhas no escaneamento e melhora a qualidade de arquivo mais antigo.

”A mística feminina não fez sucesso no Brasil pelo mesmo motivo que vários livros importantes para o movimento feminista não fizeram sucesso: tiveram apenas uma edição (ou importamos uma edição portuguesa, como é o caso da Kate Millett), e foram divulgados de forma bastante depreciativa na mídia. Poucas mulheres tiveram a coragem de ler as obras após ver os comentários agressivos e insultantes feitos sobre as feministas e seus livros! Pra quem duvida, vale a pena ler o artigo da Rachel Soihet: "Zombaria como arma antifeminista: instrumento conservador entre libertários", publicado na Revista de Estudos Feministas v.13 n.3 Florianópolis set./dez. 2005.” — Blog Feminista

Como está a desigualdade de gênero entre os estados brasileiros?


Luísa Cardoso, em Brasil, Economia e Governo

masculino x feminino_igualdade de gêneroMedir de forma multidimensional o quão desigual é a situação das mulheres em relação aos homens é uma iniciativa empreendida por organizações internacionais há menos de vinte anos, mas já de grande importância para o debate sobre a igualdade de gênero em todo o mundo. Contudo, órgãos brasileiros ainda não proveem esses indicadores a nível nacional e a produção acadêmica brasileira na área está focada na elaboração de índices de desenvolvimento humano e não exatamente de índices de desigualdade de gênero.

Para preencher essa lacuna, foi construído o Índice Nacional de Desigualdade de Gênero (INDG) que calcula e compara a desigualdade de gênero entre as unidades federativas brasileiras de forma análoga à qual o Global Gender Gap Index (GGI), elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, calcula e compara a desigualdade de gênero entre países.

Há de ser considerado que índices de comparação internacional uniformizam características regionais e disparidades internas tendem a ser ignoradas. Logo, é importante mensurar a desigualdade de gênero em cada estado da federação, pois torna-se possível desagregar a realidade nacional, revelando a magnitude da desigualdade nas diferentes partes do território brasileiro.
 
O Índice Nacional de Desigualdade de Gênero (INDG)  é então estruturado de acordo com uma Tabela.
Após serem calculadas cada uma das razões, é calculada a média dos subíndices de cada dimensão. Posteriormente, é calculada a média das quatro dimensões e esta será igual a pontuação final do estado, que pode variar entre zero (máxima desigualdade) e 1 (igualdade).

Verifica-se, assim, o quão desigual é a maneira como homens e mulheres usufruem do nível de desenvolvimento do seu estado e não o nível geral de desenvolvimento estadual. O INDG, assim como o GGI, é um índice de desigualdade, não de desenvolvimento.

Resultado final do Índice Nacional de Desigualdade de Gênero (INDG)


A região Norte obteve a maior pontuação média, igual a 0,739, apesar de a pontuação média do Nordeste ser muito próxima, igual a 0,732. Já a pontuação média da região Sudeste foi igual a 0,721. Centro-Oeste e Sul apresentaram média igual a 0,706 e 0,698, respectivamente.

Apesar dos resultados muito parecidos e próximos de 1 nas dimensões de Educação e de Saúde, em nenhum estado o INDG final foi igual ou superior a 0,8. As dimensões de Participação Econômica e de Poder Político representam no índice geral como as mulheres brasileiras, em maior ou menor intensidade dependendo do estado onde vivem, ainda não usufruem do espaço público da mesma forma que os homens, seja no mercado de trabalho ou no exercício do poder governamental.

Embora os estados do Norte e do Nordeste, em geral, tenham obtido melhores resultados no INDG do que os estados do Centro-Sul, não é possível uniformizar os desempenhos estaduais por região. Além disso,pode-se afirmar que a renda parece não determinar diretamente o quão desigual é a relação entre homens e mulheres, como representado pelo Gráfico.


Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013
— inscrições até 19 de agosto. Já enviou o seu projeto?

Prêmio Carmen Santos Cinema de Mulheres 2013_MinC

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Do instinto de conservação da espécie humana

O que significam todas as manifestações, protestos e eventos acontecendo no mundo nos últimos dois anos?

manifestação_20130628_cinelândia
Manifestação Cinelândia — Rio de Janeiro, junho de 2013
Foto: São Sebastião do Rio de Janeiro

As pessoas que observam passivamente aparte, ou em suas TVs em casa, perguntam: o que querem esses manifestantes? Contra o que protestam? Sabem realmente o que querem? Aqui no Brasil, as manifestações começaram quando as passagens de ônibus e metrô subiram 20 centavos; no entanto, inclusive quando os governos locais baixaram as tarifas aos níveis originais, os protestos não diminuíram.

Durante as manifestações em alguns países do Oriente Médio, da “Primavera Árabe”, as pessoas exigiam uma mudança de regime. Em outras manifestações, as pessoas pediam melhorias na Educação. Na Europa e no Chile pedem educação, serviços de Saúde sem custo etc. Em algumas manifestações as exigências dos participantes são tão diversas quanto direitos dos homossexuais, temas ambientais, direitos dos animais, transparência no governo, uma imprensa verdadeiramente livre, serviços de Saúde universais, democracia verdadeira [direta], justiça social etc. Alguns se queixam dos organismos geneticamente modificados (OGM- GMO), de funcionários públicos corruptos, da brutalidade policial, do sistema bancário em quebra, dos regimes autoritários etc.

Em alguns países, as massas podem conseguir o que almejavam. Conseguiram desvencilhar-se de tiranos, ditadores, juntas militares; conseguiram a mudança de regime. Mas… por que continuam protestando? Por que continuam nas ruas, nas praças e nos parques?
O que está realmente acontecendo?

O que acontece é que as pessoas começam a salegoria prisãoentir um mal-estar generalizado. De alguma maneira sentem-se agitadas internamente. Sabem somente que alguma coisa vai mal, que de alguma maneira algo não está funcionando.
Os dois instintos primordiais são: o instinto de autoconservação e o instinto de conservação da espécie.

Temos de compreender que, se nós, como indivíduos, temos uma consciência individual, também devemos entender que a espécie, como um todo, também é uma entidade; que a espécie, como entidade, tem sua própria consciência. Estejam conscientes de que, neste exato momento, essa é a consciência que opera agora nesses movimentos. E é a espécie humana quem percebe a ameaça que se lhe afronta. E sabe que atrás de si jaz o grande abismo. Sabe que o sistema já se encontra em uma situação-limite e que está a ponto de arrastar tudo consigo. Essa consciência coletiva despertou e quer superar aquele abismo.

Já não se trata do quê as pessoas querem. Já não se trata do quê você e eu queiramos. Não se trata do que queiramos como indivíduos. Consciência coletivaAgora, trata-se daquilo que a espécie, como totalidade, necessita. E necessita uma resposta totalizadora às crises globais que enfrenta: necessidade de uma mudança total. Necessita de transformação. Sabe que, para sobreviver, deve dar um salto gigantesco, fazer a revolução total, a transformação total: do indivíduo, do sistema, da espécie.

möebius
MH

Artigo reproduzido do blog Beyond Mere Survival (Além da Mera Sobrevivência)


Material de apoio para discussão e implementação da transformação total:


· A Respeito do Humano
· As Condições do Diálogo
— Em preparação:
· A Modificação do Transfundo Psicossocial

  

Alguns lugares propícios (e recomendados) para juntar-se e trabalhar a transformação total, sob a ótica do Novo Humanismo — Os Parques de Estudo e Reflexão:

Chaplin_parques de estudo e reflexão_A Mensagem de Silo
Arte: ABAFO
· Parque Caucaia (Cotia – SP) 
· Parque Retiro (Maricá — RJ) 
· Parque Igarassu (Recife – PE)
· Parque Minho (Minho — Portugal)
· Parque Marracuene (Marracuene — Moçambique)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Fanatismo é diferente de fé

E ambos não devem se imiscuir na gestão do Estado

Não é difícil entender porque os retrógrados da bancada evangélica, nesse momento representados por um Partido “Social Cristão” (PSC), e com o aval de PSDB e PMDB, se agarram com unhas e dentes à Comissão de Direitos Humanos e Defesa das Minorias (CDHM) da Câmara Federal. Querem impedir a evolução da conquista e manutenção de Direitos básicos do povo brasileiro, como o são a proteção contra a violência gerada pela discriminação e a intolerância, e o direito de estabelecer uniões civis e formar famílias da forma que lhe pareça mais adequada. Fazem isso para tentar garantir que a Lei seja um espelho da sua doutrina religiosa.

Um exemplo disso é essa bancada fanática querer impedir até mesmo a apreciação pela Comissão de um projeto de lei que convocaria um plebiscito nacional sobre a união civil consensual de pessoas do mesmo gênero.

No entanto, a aceitação aberta da orientação sexual alheia com naturalidade tem crescido nas sociedades laicas, ou seja, naquelas em que a religião não rege o Estado.

Os motivos dessas atitudes retrógradas por parte de fanáticos religiosos evangélicos são, do nosso ponto de vista: 

(i) o fanatismo religioso de acreditar que o que o seu livro religioso (a Bíblia) predica vale também para as pessoas que não seguem a sua religião;

(ii) e a sua falta de respeito (mal) disfarçada pela Constituição Federal, que, em sua visão, está abaixo do seu livro religioso específico, no que diz respeito ao funcionamento do Estado e aos direitos e deveres dos cidadãos.

No entanto, nós, que entendemos que ser religioso ou não é uma questão de cunho pessoal, que não deve ser regulada pelo Estado, nem muito menos imposta por uma parte da sociedade aos demais cidadãos, somos contrários as suas intenções.

O Brasil é um país laico. Aqui, o Estado é separado da religião. Isso não é negociável.

Matéria da Folha de São Paulo

ERICH DECAT - DE BRASÍLIA - 12/03/2013

Pastor retira projetos polêmicos da pauta da Comissão de Direitos Humanos

Mantido na presidência da Comissão de Diretos Humanos e Minoria da Câmara, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) retirou nesta terça-feira (12) da pauta do colegiado projetos polêmicos que deveriam ser discutidos amanhã.

Nesta quarta-feira, a partir das 14h, está prevista a primeira reunião da comissão sob o comando do pastor.

Inicialmente estava na pauta a votação de três requerimentos e seis propostas remanescentes de 2012.

Entre os itens constava o projeto que define os crimes resultantes de discriminação e preconceito de raça, cor, etnia e religião. A proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), prevê tornar crimes inafiançáveis e imprescritíveis atos como discriminação no mercado de trabalho, injúria resultante de preconceito e apologia ao racismo.

Outro item que estava na pauta previa a convocação de plebiscito para decidir sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo.

"É uma pauta antiga que não tinha conhecimento. Vamos discutir a pauta amanhã", disse Feliciano ao justificar a mudança.

Na tarde de hoje, uma nova pauta foi divulgada com a previsão de serem votados oito requerimentos diferentes do indicado inicialmente no site da Câmara.

A metade deles é de autoria do próprio pastor --realização de audiências públicas para debater temas como a situação de moradores de rua, violência e exploração sexual de crianças e desafio da inclusão no mercado de trabalho.

A primeira sessão no colegiado deve ocorrer em meio a protesto de ativistas contrários à permanência de Feliciano no comando da Comissão. Em contrapartida também está prevista a presença de apoiadores do pastor.

No final da tarde de hoje, a bancada do PSC reafirmou apoio à manutenção do deputado no cargo.

Antes do encontro, líderes partidários questionaram o líder do PSC, André Moura (SE), sobre a permanência do pastor, mas afirmaram que a decisão final deveria ser da legenda.

Link original da matéria

* Imagens: A Hora e a Vez - A futura sociedade colorida, do tabu à realidade - Raquel Queiroz

CEH-RJ

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